Viagem no tempo no interior da Toscana: Siena e San Giminiano

Hoje fomos conhecer outras cidades da Toscana: Siena e San Giminiano, cidades que têm as casas mais preservadas do período medieval.
Saimos de carro de Firenze e chegamos em torno das 9:30 em Siena. O pedágio até agora foi o mais barato que pagamos, dando 80 centavos de euro de Firenze a Siena. Muito menos do que quando fomos de Bolonha a Firenze, que foi 9 euros.
Tentamos estacionar num estacionamento público gratuito junto da Fortaleza dos Medici, mas não havia vagas. Tivemos que estacionar em um local mais afastado, também gratuito.
O primeiro ponto que fomos foi a fortaleza criada pelos Medici, quando Firenze dominou Siena. A fortaleza possui um anfiteatro aberto e é um local em que as pessoas vão caminhar tendo uma boa vista da cidade e dos campos da Toscana.

A seguir, fomos na igreja de Santo Domingo, posteriormente dedicada a Santa Catarina de Siena. Vimos a cabeça e um dedo da Santa no relicário da igreja. Ela é a padroeira da Itália e co-padroeira da Europa.


No caminho para o centro, conhecemos a casa-museu de Santa Catarina, onde ela vivia. A casa possui uma capela de oração com afrescos e uma igreja dedicada à Santa. Perto de sua casa está a Fontebranda, a mais antiga da cidade. Uma característica da cidade é que possui fontes de água públicas espalhadas por todos os bairros, várias com água potável. 


Fomos caminhando os sobes e desces das ruas da cidade até a praça principal: Piazza del Campo, que possui a Fonte Gaia (em reformas), um campo dividido em 9 partes, uma capela, a Torre Mangia e o Palazzio Communale. Nessa praça ocorre duas vezes por ano o Palio de Siena, que é uma corrida de cavalos tradicional da cidade. Uma característica interessante do chão é que no encontro dos raios que dividem o campo têm um caimento até o ponto de encontro, onde está o ralo para drenar a água. O Palazzo sempre foi o local administrativo do governo da cidade. Atualmente têm museus cívicos e a prefeitura da cidade. No período feudal, no século XIX, era uma cidade-burgo independente. Por um período funcionou um governo de 9 pessoas. Por esse motivo o campo foi dividido em 9 partes com os raios que vemos no chão. O Palazzo também tem o brasão de 6 esferas dos Medici, de período posterior (1500), quando dominaram a cidade.



No Palazzo Communale, compramos o ingresso para subir a torre Mangia (que ti fa bene) e ter uma vista panorâmica da cidade. A escada é bem estreita, por isso, para evitar tumultos no meio da escada, existem horários específicos de subida e descida, e o tempo lá em cima é limitado a 10 minutos. As fotos valeram a pena o esforço.


Logo após, fomos ao complexo do Duomo de Siena. Compramos o ticket de 13 euros para poder acessar todos os locais do complexo. Primeiro fomos ao Museu das obras do Duomo, que tem obras importantes que foram retiradas para conservação. De dentro desse museu subimos a Facciata, que é a fachada do primeiro Duomo que tentaram construir em torno de 1300. A construção não deu certo, pois teve problemas estruturais e a cidade entrou em declínio econômico após a Peste Negra. O local onde está o museu seria a nave esquerda dessa catedral. Subimos no topo da fachada para tirar boas fotos panorâmicas.


Logo após, fomos conhecer o interior da catedral. As colunas são de branco e preto, cores de Siena. O que mais chama a atenção são os desenhos no piso de mármore, e a grandeza do púlpito de mármore. Um dos desenhos mostra a origem do nome de Siena, junto com o nome de outras cidades. O nome da cidade vem de Sena, filho de Rômulo, fundador de Roma. Vimos na cidade muitas referências ao mito de Rômulo, Remo e a loba. 


Fomos também à cripta abaixo do Duomo. Essa cripta estava escondida atrás de paredes e foi descoberta somente em 1999, sendo aberta à visitação em 2003.  A cripta tem afrescos baseados em evangelhos apócrifos, com cenas de Jesus criança no Egito e Jesus na escola. Antes da visitação pública foi criada uma estrutura metálica para poder manter a cripta estável sem comprometer a pavimentação da catedral acima.


Logo após fomos ao batistério, que fica na descida atrás da catedral. Pudemos ver os seus afrescos, mas infelizmente a pia batismal estava fechada para restauração.


Compramos um panino e fomos caminhando 20 minutos até o carro, enquanto pudemos respirar um pouco mais da cidade e suas casas medievais.


Saímos pelas 14:30 para San Giminiano, chegando pelas 15:15. Conseguimos estacionar em um local gratuito, mas um pouco distante do centro. A cidade foi fundada ainda pelos Etruscos, civilização anterior aos Romanos. Os Etruscos tinham preferência por fundar cidades em cima de morros para facilitar a proteção contra ataques, enquanto os Romanos posteriores preferiam fundar cidades junto a rios, para facilitar o comércio e transporte de mercadorias. San Giminiano é ainda toda murada e é basicamente uma cidade com quase todos os prédios e casas construídos no período medieval. Entrar na cidade é realmente uma viagem no tempo. É uma cidade pequena e rápida de andar pelas ruas principais.  Fomos primeiro à praça do Duomo, onde compramos o ingresso, vimos o museu com arte sacra e subimos na torre mais alta da cidade para ter uma vista panorâmica. A vista das paisagens da Toscana é incrível e parece muito semelhante ao que vemos subindo os morros na Quarta Colônia. Uma diferença é que vimos neve no topo dos Apeninos, no horizonte.


Após, fomos à praça da Fonte, que é ao lado da praça do Duomo, e fomos procurar uma gelateria que já ganhou prêmios mais de uma vez como melhor do mundo. Ela infelizmente estava fechada para férias, mas tomamos um excelente sorvete de outra gelateria da praça.


Uma característica interessante de San Giminiano são as torres de famílias que eram ricas na idade média. Essas famílias construíram casas com torres altas. Existia uma espécie de competição para quem tinha a maior torre.


Pudemos caminhar pela cidade e ver o pôr-do-sol sobre um antigo forte, que tem uma linda vista para a paisagem da Toscana. Após anoitecer, iluminaram as torres da cidade, cada uma com uma cor diferente, e tiramos mais algumas fotos nas ruas.


Pelas 18 h saímos de San Giminiano, paramos no estacionamento conveniado do hotel em Firenze e fomos novamente para o centro de Firenze, fazer compras e jantar na Trattoria Za Za, muito recomendada, de comida típica da Toscana. A nossa guia do tour de bicicleta no primeiro dia nos explicou que os restaurantes comuns têm comida internacional, trattorias tem comida típica da região, e osterias são pequenas e familiares, também de comida típica. Pedimos na Trattoria Za Za os pratos de carne especialidades da casa. Escolhi uma carne com molho de trufas e acompanhamento de batata. Pedimos bem passado, que equivale ao nosso "no ponto" no Rio Grande do Sul. O preço dos pratos foi menos de 20 euros, o que é ótimo em comparação ao que vimos no menu de outros restaurantes, e o prato estava "esquisitissimo". De sobremesa, dividimos a melhor da casa segundo o garçom peruano: uma torta de maçã acompanhada com creme Mascarpone. Também excelente.
Essa foi nossa última oportunidade para visitar também a capital da Toscana. Amanhã seguiremos viagem.


Podemos considerar que o dia de hoje foi uma viagem no tempo. As cidades de Siena e San Giminiano conseguiram conservar as construções medievais, o que não vimos tanto nas cidades grandes que tiveram muitos bombardeios durante a 2ª guerra mundial. Fazer essa viagem foi uma experiência inesquecível. Sentimos falta de poder ficar mais tempo para apreciar mais cada cidade, mas conseguimos entender pelo menos alguns pontos de suas histórias. Quem sabe poderemos voltar em uma próxima viagem para a Itália.


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