Segundo dia em Veneza e passeio de barco pelas ilhas de Murano, Burano e Torcello


Hoje seguimos o mesmo percurso de ontem para chegar até a praça de São Marcos, em Veneza. Deixamos o carro no estacionamento perto da estação de Padova. Chegando na estação, compramos a passagem no totem automático e pegamos o trem até Venezia - Santa Lucia. Apesar de ser um trem regional, atinge a velocidade de até a 160 km/h e parece não ter nenhuma fiscalização para conferência de passagem.


É perceptível que muitas atividades comerciais que estamos fazendo ao longo da viagem são somente com máquinas, sem pessoas para atender: pedágio, estacionamento privado, tram em Milão, trem aqui em Padova.
Ao chegarmos na estação Santa Lucia, tomamos café em uma ótima cafeteria e caminhamos por 30 minutos até a praça de São Marcos. A chuva deu uma trégua e, portanto, não ficamos com os pés encharcados como ontem. Pudemos tirar fotos de algumas lojas no caminho. Algo que chama atenção é que muitas ruas são chamadas "calle", que é também em espanhol, ao invés de "via", como no italiano. Descobrimos que a palavra calle vem do dialeto Vêneto, falado pelos imigrantes italianos da Quarta Colônia. Conversando ontem com o gondoleiro, ele nos falou que muitas pessoas ainda falam dialeto Vêneto em Veneza. Andando na cidade, vimos muitas placas com anúncio de "vin" (dialeto) ao invés de "vino" (italiano).


Chegando na praça de São Marcos, passamos na frente do Palácio Ducal, atravessamos o ponte e ficamos na frente da antiga prisão, onde sairia o passeio que compramos para o dia através do Booking.com. Mostramos o voucher no ponto de encontro e a guia levou o grupo até o barco. O grupo era em torno de 130 pessoas. A guia falava em 5 idiomas: italiano, inglês, espanhol, francês e alemão.


Depois de 30 minutos, o primeiro ponto de parada foi a ilha de Murano. Essa ilha é conhecida pela fabricação de vidros. A história diz que inicialmente os vidros eram produzidos na ilha de Veneza. O governante lançou um decreto para que toda a produção fosse feita na ilha de Murano, para evitar incêndios na cidade. Além disso, a produção em uma ilha fora da cidade principal teria a intenção de proteger melhor o conhecimento dos mestres vidreiros. Paramos em uma vidraria e assistimos a demonstração da fabricação de um vaso de vidro e da estátua de um cavalinho, com explicação do processo. Já havíamos assistido uma demonstração parecida em Gramado.


Depois, conhecemos a loja da vidraria, com peças incríveis de vidro, e fomos passear pela ilha. Quase todas as lojas eram de peças de vidro fabricadas na ilha: decoração, joias e utilidades. Almoçamos uma pizza em um dos poucos restaurantes que encontramos.


A próxima parada foi a ilha de Burano, que é dividida em 4 ilhas menores. Burano era antigamente uma vila de pescadores. As casas atualmente são pintadas com múltiplas cores, dando um charme especial na vila. A igreja da ilha possui a torre um pouco inclinada devido a problemas de infiltração.


Por fim, a última parada do tour foi a ilha de Torcello. Essa ilha é onde iniciou Veneza, no século V.  Já teve mais de 20 mil habitantes, mas hoje é quase deserta, tendo como principal atração o sítio arqueológico e a Basilica de Santa Maria Assunta, do século VI, atualmente sendo restaurada. Tem também a igreja de Santa Fosca,  que está em funcionamento. Percebemos que é uma ilha pouco turística.


Apesar de termos pouco tempo, entramos na basílica e alugamos um guia de áudio para ter as informações. A basílica foi construída ainda no período em que Veneza fazia parte do Império Romano do Oriente (Bizantino), e possui mosaicos de estilo Veneto-Bizantino. Tenho impressão que já vi algum desses mosaicos nos livros de história. Infelizmente, não era permitido tirar fotos do interior. Buscando no Google, esses são os mosaicos que vimos:



Às 15:55 o barco partiu, e chegamos de volta à Veneza pelas 17 h. Aproveitamos para visitar as lojas e andar pelas ruas em torno da praça de São Marcos. Optamos por jantar em um restaurante na praça de São Marcos que tinha o menu completo por 16 euros, incluindo taxa de serviço. Enquanto a Mari optou pelo certo, lasanha como primo piatto, frango e batata frita como secondo piatto, eu optei pelo duvidoso. Quis provar o prato mais estranho do menu: primo piatto "Spaghetti con seppie" e secondo piatto "Seppie alla Veneziana". Depois de receber os pratos, fiquei sabendo que "seppie" é uma espécie de lula com tinta preta. Apesar de fazer cara feia ao receber o prato com comida preta, estava razoavelmente bom. O secondo piatto tinha como acompanhamento uma espécie de massa branca feita na chapa, que tinha gosto exato de polenta na chapa. Perguntei ao garçom e confirmei que de fato é polenta, mas branca, não amarela. Ele falou que no Vêneto o mais comum é a polenta com farinha branca. Tinha gosto de polenta, e de fato era!


Depois do jantar, voltamos para a estação de trem para pegarmos o trem para Padova. O Google Maps parecia estar se perdendo muito no GPS, então resolvemos seguir as placas indicando "Alla ferrovia" junto com as pessoas caminhando. Dessa vez, seguindo as placas, andamos por ruas mais largas e mais bem iluminadas do que ontem à noite.


Chegando na estação, tomamos um ótimo gelato como despedida de Veneza. Pegamos um trem para Padova que saiu às 19:51. Porém, quando já estávamos no caminho, percebemos que era um trem lento que parava em várias estações antes de Padova. Chegamos na estação de Padova somente às 20:40, e pelas 21:00 no hotel.


Hoje o passeio por Veneza foi mais tranquilo do que ontem. Conhecemos as ilhas, molhamos um pouco os pés, mas dessa vez não ficamos com pés encharcados. Poderíamos ter ficado mais tempo em Veneza? Sim, nos faltou fazer um tour com guia na cidade, conhecer o interior da basílica de São Marcos e entrar no palácio Ducal. Porém, conseguimos nesses dois dias ter uma boa ideia de como é a cidade, conhecer pelo menos os principais pontos e fomos às principais ilhas. Quem sabe algum dia retornaremos para novos passeios...

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