Passeio de bicicleta na ZTL de Firenze

Hoje saímos de Bolonha para Firenze (Florença) pelas 7:45, pois ficamos interessados em fazer um tour de bicicleta que iniciaria às 10 h, que descobrimos no site getyourguide.com. Não fizemos reserva pelo site pois não sabíamos se conseguiríamos estar no ponto de encontro a tempo. Chegamos em Firenze pelas 9:20, deixamos o carro no estacionamento conveniado do hotel e pegamos um tram até o centro da cidade para tentar chegar a tempo para o tour. Já dentro do tram, percebemos que não havia máquina para comprar bilhete com cartão de crédito, como havia no tram em Milão e nos ônibus de Verona e Bolonha. Agora de noite, ao retornarmos para o hotel, compramos todos os bilhetes necessários, inclusive os de amanhã.
Conseguimos chegar às 10 h na agência de turismo indicada pelo getyourguide.com. Compramos o passeio de bicicleta e, como seríamos somente nós, disponibilizaram uma guia brasileira. Nossa guia, Robelia, é baiana residente na Itália trabalhando para várias agências de turismo.


Começamos o tour vendo o Palazzo Medici Riccardi, que foi o primeiro que a família Medice residiu. Essa família dominou a política de Firenze e a Toscana desde o século XIV até 1737, enriquecendo com vários negócios, especialmente bancários, e comprando títulos de nobreza. Acabaram sendo incentivadores do Renascimento, por terem comprado arte e patrocinado Michelangelo.
Passamos pela Brasílica de São Lorenzo, que foi decorada por Michelangelo no seu interior. Ao lado dessa basílica fica uma capela com tumbas da família Medici.


Logo depois fomos ver a Basílica de Santa Maria Novella, da ordem dos Dominicanos.


Passamos pela igreja de Santa Trinita e tiramos fotos com a decoração de Natal.


Atravessamos a ponte de Santa Trinita sobre o rio Arno. Essa ponte tem 4 estátuas de Michelangelo: dois homens que representam outono e inverno, e duas mulheres que representam primavera e verão. Pudemos tirar foto com a Ponte Velha ao fundo.


Atravessamos o rio e fomos até a igreja do Santo Espírito. Perto dessa igreja está o Palazzo Pitti, que a família Medice comprou do banqueiro Luca Pitti em 1539, após o líder da família se casar com uma nobre espanhola que queria ficar mais distante do centro da cidade. Para evitar atentados dos seus inimigos, construíram um corredor de 1 km ligando a atual Galeria degli Uffizi com o Palazzo Pozzi, passando pela Ponte Velha. A Galeria degli Uffizi tem esse nome pois era o escritório dos Medici.




Passamos pela Ponte alle Grazie e fomos até a Basílica de Santa Croce. Na frente dessa basílica ocorre anualmente um jogo de futebol histórico florentino, que é uma mistura de rugby com artes marciais. Nesse jogo, os 4 bairros antigos de Firenze se enfrentam: branco de Santo Spirito, azul de Santa Croce, verde do Duomo e vermelho de Santa Maria Novella.  Passamos por todos esses bairros no tour de bicicleta.


Nessa praça há duas marcações das maiores enchentes que impactaram a cidade. Uma delas ultrapassa 3 m de altura de água. Na mesma casa, há uma janelinha no lado direito da porta de entrada entrada. Essa janelinha era utilizada durante as épocas de peste na idade média para vender vinho sem entrar em contato direto pessoa com pessoa. Seguindo o mesmo princípio, acabou sendo também utilizada durante a epidemia da Covid.


Fomos até o local que hoje funciona o museu da Casa de Dante. Dante Aliglieri foi o primeiro escritor em língua italiana, e assim é considerado o fundador da língua. Apesar do nome do museu, não há certeza que o local foi de fato a sua casa, porém sabe-se que ele frequentava o entorno. No chão, há um desenho do rosto dele.


Por fim, fomos até o Duomo, que tem o batistério na frente. Essa gigantesca catedral começou a ser construída em torno de 1300 e demorou 150 anos para a sua estrutura ser concluída. A fachada e decoração foram modificadas posteriormente. 


Finalizamos o tour em torno das 13 h. Às 14 h já tínhamos agendado para conhecer a Galleria degli Uffizi. Quase toda a coleção da galeria foi doada à Firenze pela familia Medici. Próximo da galeria está o Palazzo Vecchio, que já foi sede do governo medieval e sua torre foi prisão do primeiro membro da família Medici, Cosimo.


Ficamos mais de 2 horas na galeria. Com as centenas de obras, é difícil e cansativo conseguir explorar toda a galeria. A galeria possui centenas de estátuas da época romana, pinturas medievais, renascentistas e de séculos mais recentes. Pudemos ver as obras de renascentistas famosos como Donatello, Raffaello, Michelangelo, Leonardo da Vinci, Caravaggio.  


Já havia escurecido quando saímos da galeria. Passamos no Palazzo Vecchio, onde pude tocar no piano disponível ao público.


Depois, vimos as vitrines das joalherias da Ponte Vecchio e caminhamos pela cidade, ainda decorada do Natal.


Para finalizar a noite, comemos uma pizza. Uma pizza que encomendamos era de bisteca. Achamos que seria como as pizzas de carne do Brasil, mas a bisteca era como um rosbife.  As pizzas de carne brasileiras definitivamente são melhores do que as italianas. 


Amanhã seguiremos para explorar outros pontos importantes de Firenze. 
Andar de bicicleta foi um passeio divertido e diferente, mas percemos que as distâncias são curtas. É possível perfeitamente fazer o mesmo trajeto a pé, mas não de carro. Quase todo o lugar que andamos era ZTL, e a multa é de 100 euros quando algum carro não autorizado entra nessas ruas.


Um aprendizado interessante de hoje foi entender o motivo de o nome da cidade ser Florença em português, Florence em inglês, mas Firenze em italiano. A cidade foi nomeada durante o período romano em homenagem à deusa Flora. Em italiano acabou sendo modificado, pois flor em italiano ficou fiore. Em inglês e português ficou mais parecido com o original. Na pintura "Primavera" de Botticelli vimos a representação da deusa Flora na Galleria degli Uffizi.

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