Dia na capital da Emilia-Romagna

Hoje tomamos café no hotel e pegamos um ônibus urbano até a Piazza Maggiore de Bologna. Chegamos pelas 9:30 e tínhamos um free tour marcado para às 11:00. 


Não quisemos ter o mesmo problema de Veneza. Assim, perguntamos no centro de informações turísticas se conheciam o site que tínhamos marcado o tour, mas não conheciam. Haveria um tour em italiano, oficial da cidade, por um custo de 15 euros por pessoa, iniciando às 10:30. Optamos por fazer esse tour e mandamos mensagem desmarcando o free tour. A mensagem até agora não foi respondida. Acho que fizemos o certo.
O tour iniciou às 10:30 com a guia Vanessa. Fomos primeiro na Sala Borsa, que é atualmente uma acolhedora biblioteca pública e espaço de eventos. Essa sala já foi o local administrativo durante o império romano, e é possível enxergar as escavações arqueológicas abaixo do piso térreo. No século XVI virou um local de cultivo de plantas, foi utilizado como local de negociações em séculos mais recentes (bolsa de valores) e já foi até utilizado para jogos de basquete nos anos 50.


Logo ao lado, fomos ao Palazzo Communale, que sempre foi o local de administração da cidade. Antes de Napoleão Bonaparte conquistar a Itália, Bolonha fazia parte do estado pertencente à Igreja desde o final do império Romano, sendo governado pelo Papa. O poder local era dividido por cerca de 40 famílias. Visitamos a sala onde havia a reunião do senado local e atualmente é a câmera de vereadores. No mesmo palácio também fica a torre do relógio e o apartamento que o papa ficava quando estava na cidade.


Saímos do palácio e fomos à basílica de São Petrônio, que tem os restos mortais do santo. A basílica foi iniciada no século XIII e dada como finalizada somente na década de 1950. Porém, ela não está finalizada como imaginada inicialmente, sendo ainda revestida com tijolos à vista na metade superior da parte externa. A basílica é uma das maiores do mundo. Uma peculiaridade é que possui uma linha de meridiano no chão e um pequeno furo no teto. Em torno do meio dia, o raio do Sol passa pelo furo do teto e atinge um ponto da linha do chão. De acordo com o dia do ano e horário, o raio de sol atinge um ponto diferente, de forma muito precisa. Isso era utilizado para calibrar os relógios da cidade.



Saindo da basílica, caminhamos nas ruas de Bolonha, onde reparamos os pórticos nas calçadas de quase todas as quadras do centro da cidade. A guia nos mostrou um pórtico de madeira que sobrou do período medieval. Passamos pela casa que morava o cantor e compositor Luccio Dalla, autor da música Caruso, e por uma praça com a sua estátua.




Passamos também pelo palácio onde era a sede da Universidade de Bolonha. Assim como em Padova está cheio de inscrições com os alunos e suas procedências. A administração da Universidade também era inicialmente feita pelos alunos.


Seguimos o tour até as chamadas "Duas torres de Bolonha". Uma delas está muito inclinada, e está sendo constantemente reforçada para evitar o seu tombamento. Atualmente está com acesso limitado no seu perímetro. Passamos também pela Piazza Santo Stefano, que tem uma basílica que já foi um templo pagão antes do cristianismo.



O tour finalizou no Mercatto Mezzo, que é o mercado público do centro da cidade, junto da Piazza Maggiore. O mercado tem diferentes tipos de presunto, mortadela, salame, queijo, entre outros produtos de várias regiões da Itália. Almoçamos numa galeria de restaurantes do Mercatto Mezzo. Pude experimentar um tortellini de carne com molho bolonhesa, e a Mari, um balanzoni de ricota e mortadela.


Depois do almoço, fomos conhecer a parte da Universidade de Bolonha na via Zamboni. Fomos ao Palazzo Poggi, que possui a Biblioteca e um museu de ciências da Universidade de Bolonha. Fomos inicialmente ao museu de ciências. O museu explicava como o método científico para estudo da natureza foi desenvolvido na Universidade de Bolonha, antes de Descartes. Um professor da Universidade do século XVI começou a coletar amostras de plantas e animais para estudar. O museu mostra várias amostras da coleção e também tem instrumentos científicos antigos, mapas e modelos de navios da época das grandes navegações. No mesmo prédio, tentamos ir ao museu de Astronomia, que tem um observatório, mas estava fechado.



Fomos para a biblioteca da Universidade da Bolonha, mas haveria um tour para visita em italiano somente às 17 h. Assim, agendamos online para voltar às 17 h.
Voltamos para a Piazza Maggiore e fomos conhecer as escavações arqueológicas da Sala Borsa. Depois, andamos um pouco mais pelo prédio e tiramos fotos.


Seguimos no prédio da Palazzo Communale para fazer um tour na torre do Relógio. Compramos o ticket online e utilizamos audioguia pelo celular. Pudemos conhecer melhor a história da torre do relógio e do palácio. O relógio é do século XV. Do alto da torre, pudemos tirar uma foto panorâmica da Piazza Maggiore.


Antes das 17 h chegamos novamente na biblioteca do Palazzo Poggi. Como alguns australianos apareceram para o tour, o tour acabou sendo em inglês. 
A Universidade de Bolonha foi criada pela Igreja em 1088, sendo a primeira a ser criada na Europa. Perguntei ao guia se não seria a mais antiga do mundo, e ele falou que houve outra instituição semelhante a uma universidade criada antes no mundo árabe. O Palazzo Poggi se tornou o prédio de administração da Universidade no período Napoleônico. Conhecemos a antiga biblioteca, que tem livros de muitos séculos, incluindo papiros egípcios e escritas dos astecas.


Por fim, já era noite quando voltamos ao Mercatto Mezzo para jantarmos uma pizza e um ótimo nhoqui com manteiga e salvia.
Acreditamos que 1 dia foi suficiente para conhecer Bolonha. Nos chamou a atenção também a grande quantidade de jovens, por ser uma cidade muito centrada na Universidade. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

De volta às origens no Vêneto

Um pouco da cidade de onde partiram os imigrantes Italianos