28 mil passos em Milão
Hoje aproveitamos o dia para ir a muitos lugares recomendados de Milão.
Às 9:00 fomos de tram ao Cemitério Monumental, cemitério mais impactante do que o de Buenos Aires e o de Santiago do Chile. Túmulos com esculturas e arquitetura impressionantes.
Pelas 10:30 pegamos o tram até a praça do castelo Sforzesco e fomos caminhando até a Basilica de Santo Ambrósio. No caminho, comemos um delicioso brioche de pistache.
A basílica de Santo Ambrósio tem mais de 1500 anos, e possui o esqueleto de Santo Ambrósio, padroeiro de Milão, em uma cripta sob o altar. É de estilo arquitetônico românico lombardo. Algo que chamou a atenção na igreja foi a exposição de um presépio feito em um campo de concentração na 2ª guerra mundial.
Após visitar a Basílica, fomos caminhando até Naviglio Grande, onde há canais na cidade. Descobrimos que Milão já foi cheia de canais durante o período medieval, semelhante a Amsterdã. Os mármores utilizados para a construção do Duomo saíam de uma montanha que pertencia ao Duque da cidade, e ia pelos canais até um porto atrás do Duomo. Posteriormente, os canais foram todos fechados, e sobraram somente os de Naviglio.
Almoçamos em Naviglio e pegamos o metrô até o Castello Sforzesco, onde tínhamos agendado um tour guiado às 14 h, através do site getyourguide.com. Os pátios do castelo são todos abertos ao público, mas os museus internos são pagos, e nosso tour já incluía o acesso aos museus. O tour foi todo em Italiano, com guia Fabio. Conseguimos compreender plenamente a explicação em italiano. O guia resumiu a história da cidade, desde o período romano até hoje. Milão sempre foi como uma linha de frente militar entre a Itália e o resto da Europa. Começou como um acampamento militar no império Romano. Na idade média, era um ducado autônomo, primeiro governado pela família Visconti, que financiou a construção do Duomo de Milano. O último Visconti não teve filho homens. Sua filha era casada com Francesco Sforza, que por isso tornou-se duque. A dinastia Sforza seguiu até o início do século XVI. O filho de Francesco, Ludovico Sforza, contratou Leonardo da Vinci como Engenheiro Militar nesse período. Os projetos de armamentos feitos por Leonardo eram para atender a defesa de Milão. Por causa de sua localização, e tendo castelo fortificado e muro ao redor da cidade, Milão sempre foi alvo de ataques. A Espanha passou a dominar Milão no início do século XVI, acabando com a dinastia Sforza. O castelo passou a ser o local militar a partir do qual a Espanha dominava Milão.
No início do século XIX, Milão foi dominada pela França, e Napoleão se auto proclamou rei da Itália, transformando Milão na capital da Itália. A França também dominava a cidade a partir do castelo, utilizando-o como base militar.
Na metade do século XIX, a Itália foi unificada, e o rei Vittorio Emmanuelle II passou a ser rei da Itália, sendo Roma a capital. Com a unificação italiana, os milaneses destruíram o castelo, para simbolizar o fim da dominação estrangeira. Porém, ainda no século XIX, resolveram reconstruir o castelo, buscando refazer a forma que era durante o período da dinastia Sforza. Restauraram e juntaram muitas partes. Na visita, pudemos perceber que existem partes originais e outras totalmente reconstruídas.
Visitamos no castelo a Pietà Rondanini, que Michelangelo esculpiu quando tinha mais de 80 anos. Essa estátua foi a última que ele esculpiu. Primeiramente, ele havia feito uma estátua que não lhe agradou, e então, começou a esculpir essa estátua final, que não chegou a ser terminada. Um braço da estátua inicial permaneceu na nova estátua. No mesmo local, há também uma máscara mortuária de Michelangelo, que foi feita com molde de gesso após Michelangelo falecer aos 88 anos.
Após o tour no castelo, atravessamos o Parque Sempione para ver o Arco da Paz, feito no período de Napoleão, e foi construído voltado em direção a Paris.
Já tinha anoitecido quando fomos ao bairro Brera, onde fica a Pinacoteca de Brera, que possui arte do período medieval até o contemporâneo. Conseguimos entrar nos locais abertos e ver várias estátuas, mas não fomos ao museu. No pátio principal há uma estátua de Napoleão Bonaparte. Me chamou a atenção uma escultura na parede de um dos corredores, mostrando a coroação de Napoleão como rei da Itália, em Milão. Interessante que a história está muito viva nas artes que podemos ver na cidade.
Após passear no bairro Brera, fomos devolta à Galleria Vittorio Emmanuelle II e à praça do Duomo. Fomos visitar algumas lojas, andamos mais pela região e comemos uma pizza de fast food. Ao final, provamos um ótimo gelatto da Cioccolat Italiani e voltamos de tram pro hotel.
Analisando os passos, fizemos hoje 28 mil passos, 18 km de caminhada. Nada mal para o segundo dia de passeios.
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